Existem dezenas de guias da Península de Maraú na internet, e são bons. Quase todos foram escritos por gente que passou três a cinco dias por aqui, em uma determinada época do ano, com marés e clima limitados ao período que visitaram.
Este é diferente por um motivo simples: estamos aqui desde 2001. Já vimos a península ser uma vila de pescadores, a vimos crescendo, ficar cheia de gente em janeiro, vazia em junho, com todos os tipos de luas e marés, em dias de sol e também nos dias de chuva. Podemos, portanto, falar com um pouco mais de segurança sobre as belezas deste paraíso.
Primeiro, o que é este lugar
A Península de Maraú tem 46 km de extensão, é cercada pelo oceano Atlântico de um lado e pela Baía de Camamu do outro. Em alguns trechos pode ter menos de 2 km de largura, o que possibilita assistir ao pôr do sol sobre as águas calmas da baía, com suas ilhas e o continente ao fundo, e depois assistir ao nascer da lua no Atlântico. Só por essa característica já seria um lugar imperdível para quem curte natureza.
Dá trabalho para chegar, mas acredite: já foi muito pior antes da construção da ponte, em 2008, que nos aproximou de Ilhéus. E é justamente pelo acesso difícil que este lugar permanece até hoje como uma das áreas mais intocadas do litoral brasileiro.
Como dizia um velho amigo: talvez a península não tenha as praias e as piscinas naturais mais bonitas (tem sim), as maiores lagoas, os manguezais mais ricos, as ilhas mais impressionantes, a mata atlântica mais densa, nem as mais altas cachoeiras — mas temos tudo isso, e muito mais.
A Baía de Camamu merece um capítulo só para ela. Terceira maior baía do Brasil, é um estuário navegável, repleto de ilhas, rios e manguezais que servem de abrigo para a reprodução de peixes, crustáceos e moluscos — um dos lugares de maior biodiversidade. É nela que a famosa Cachoeira do Tremembé deságua direto no mar, o que permite tomar um banho de cachoeira revigorante na proa do barco. Onde você já viu isso?
Onde fica
A Península de Maraú fica entre a Costa do Cacau e a Costa do Dendê, 220 km ao sul de Salvador e 115 km ao norte de Ilhéus. Barra Grande é a vila principal, na ponta norte da península. Rua de areia, sem prédio, sem calçadão. Como chegar é assunto de uma página inteira.
Quando ir — a parte que os guias não escrevem
Aqui é importante uma distinção: o que exatamente você procura em um destino como este? Se for paz e tranquilidade, evite o período de pico. Assim como em qualquer outra parte do litoral brasileiro, é o período de maior ocupação e, portanto, de maior agito. Se for isso o que você procura, já sabe quando vir.
A alta temporada é de dezembro a fevereiro, com pico de 26/12 a 26/01. Tudo aberto, dia longo, e você divide o lugar com mais gente. Mesmo na alta temporada é um lugar tranquilo fora do período de pico, do carnaval e dos feriados. A temperatura gira em torno de 28 a 32 graus e costuma chover pouco — mas quem se arrisca a falar do clima hoje em dia? Mesmo com a temperatura alta, sempre tem uma brisa que dissipa o calor.
De maio a agosto é o inverno daqui: temperatura por volta de 24 °C, contra a média anual de 28 °C, e é quando chove mais. É praia com o céu mais fechado, mar mais forte e a península quase vazia. Para muita gente, é a melhor época. Algumas casas reduzem operação e alguns restaurantes fecham; confirme antes. O Obar fica aberto o ano inteiro.
Março, abril e de setembro a meados de dezembro são o segredo. Tempo firme, clima ameno, mar bom, ainda sem multidão — exceto nos feriados.
E aí vêm as duas variáveis que decidem o seu roteiro no dia a dia:
A maré. A principal atração da península — as piscinas naturais de Taipu de Fora — só existe na maré baixa, e fica muito melhor nas luas nova e cheia. Explicamos como funciona aqui.
A luz. O sol se põe entre 17h14, no começo de junho, e 18h11, no fim de janeiro — quase uma hora de diferença ao longo do ano. Em junho, se você programar o fim de tarde como programaria em janeiro, chega atrasado.
As praias, com opinião
Não são todas iguais. As enseadas, os recifes de corais e os aimbins — saídas naturais de água doce — dão forma diferente a cada praia, e tornam cada uma interessante à sua maneira. A ordem abaixo segue o sentido norte-sul da península.
Ponta do Mutá
A ponta norte da península, voltada para a Baía de Camamu, mas a poucos metros de caminhada do mar aberto. Por estar no lado abrigado da baía, a água é calma, quase sem ondas, ideal para banho em qualquer maré. É aqui que a maioria das pessoas vem assistir ao pôr do sol, que por si só é um dos maiores espetáculos da península. É também um ótimo lugar para passar o dia, com diversas opções de bares e restaurantes — e é o nosso endereço. Lugar ideal para esportes náuticos como stand-up, canoa havaiana, pedalinho e vela; na alta temporada há empresas que alugam equipamento ou fazem passeios. Fica a 2 km da vila de Barra Grande, 20 minutos de caminhada.
Praia de Barra Grande
Ainda no lado da Baía de Camamu, portanto de águas calmas. É a praia da vila, com o píer onde chegam as lanchas vindas da cidade de Camamu e de onde saem os passeios de lancha ou escuna pela baía. É a mais prática: dá para ir a pé de quase qualquer pousada da vila.
Pontal do Rio Carapitangui
Também do lado da Baía de Camamu, é onde o rio encontra o mar, com uma estreita faixa de areia separando um do outro — dá para ver o rio de um lado e a praia do outro. Permite banho no rio ou no mar. O visual lá é incrível.
Três Coqueiros e Bombaça
Agora, as praias do lado do oceano Atlântico. Três Coqueiros e Bombaça ficam entre a Ponta do Mutá e Taipu de Fora. São praias de mar aberto, então o banho pede atenção redobrada, principalmente nas marés grandes e vazantes. De lá você avista a Ilha de Kieppe, e vê o nascer do sol e da lua.
Taipu de Fora
A mais famosa, e com razão: um recife paralelo à costa forma piscinas naturais rasas e transparentes na maré baixa. É o passeio que justifica o planejamento — guia completo sobre as piscinas. Na maré cheia, é uma praia bonita como muitas outras, muito procurada por surfistas.
Cassange
Praia onde fica a famosa trilha das bromélias gigantes. Outro atrativo, que dá nome à praia, é a Lagoa do Cassange: uma lagoa de água doce com 6 km de extensão, que corre paralela ao mar. Em alguns trechos, a faixa de terra entre o mar e a lagoa tem menos de 400 metros — você caminha da lagoa ao mar em poucos minutos. Fica um pouco mais distante e exige mais planejamento para ir e voltar, assim como Saquaíra e Algodões.
Saquaíra
Fica mais ao sul. O turismo lá é mais fraco; é mais frequentada por moradores e veranistas.
Algodões
Praia para quem gosta de tranquilidade: na baixa temporada você caminha sem encontrar ninguém. Considerada mais cool, com várias opções de pousada e alguns restaurantes. Também tem piscinas naturais. É um lugar para ficar ou para um programa de dia inteiro — se for só uma esticada, você não vai sentir o lugar como ele merece. Fica a cerca de 25 km de Barra Grande, por estrada de terra: exige carro ou quadriciclo.
O que fazer além de praia
Passeio de lancha ou escuna pelas ilhas da Baía de Camamu
A saída é do píer de Barra Grande, e ali mesmo várias empresas oferecem os passeios, principalmente na alta temporada. O mais comum é o das cinco ilhas — Pedra Furada, Ilha Grande, Goió, Sapinho e Campinho —, que também pode incluir a Cachoeira do Tremembé.
Nos passeios de escuna o trajeto costuma demorar mais e, portanto, fica-se menos tempo em cada atração; nos de lancha o trajeto é mais rápido e sobra mais tempo nas ilhas. Se for escolher o passeio com a cachoeira, nossa recomendação é fazer de lancha: o deslocamento até lá acrescenta cerca de duas horas, ida e volta, e a lancha consegue chegar por baixo da cachoeira — dá para tomar banho na proa.
Trilha das bromélias
Trilha de areia que pode ser percorrida de quadriciclo (melhor opção), de bicicleta elétrica (informe-se bem antes) ou mesmo de táxi. Ela passa pela Lagoa Azul — atenção: a água só parece mesmo azul no pôr do sol; fora desse horário é uma lagoa normal, mas o banho é uma delícia — e depois por uma mata repleta de bromélias gigantes, algumas chegando a 2 metros de altura. No final você avista o oceano Atlântico à esquerda e a Lagoa do Cassange à direita. O visual é de cair o queixo, e ainda dá para tomar banho na lagoa.
Morro do Farol
Um dos poucos morros que existem na península, que é majoritariamente plana. No topo fica um farol da Marinha, avistado de diversos pontos da região, e de lá se tem uma vista panorâmica da parte norte. Este passeio pode ser feito no mesmo dia da trilha das bromélias.
Quadriciclo, bicicleta elétrica, cavalo
É assim que se roda a península sem carro. Dá para alugar quadriciclo e bicicleta elétrica em diversos lugares. Para passeios a cavalo recomendamos o Rancho Verde, contato pelo Instagram @ranchoverde.marau.
Snorkel e mergulho
O snorkel nas piscinas de Taipu de Fora é o único mergulho da região que não exige barco nem experiência. Também existe empresa especializada em mergulho autônomo, com cilindro, na praia de Taipu de Fora — um dos mais procurados é o mergulho noturno na lua cheia.
Quantos dias ficar
Menos de três dias não compensa o trajeto. Você gasta quase um dia chegando e outro voltando.
Quatro a cinco dias é o número certo para a maioria: dá para pegar uma boa maré em Taipu de Fora, fazer um passeio de barco, a trilha das bromélias e ainda um dia de praia sem programa.
Uma semana dá para desbravar um pouco mais — afinal, são muitos passeios numa região só. É para quem quer chegar a Algodões e Cassange sem correr, e para quem entendeu que o programa aqui é não ter programa.
O que não te contam, e economiza aborrecimento
- Leve dinheiro em espécie. Não há agência bancária nem caixa eletrônico em nenhum ponto da península.
- Sinal de telefone e internet são inconstantes, com trechos sem cobertura nenhuma. Combine ponto de encontro antes de sair.
- A maioria das ruas não tem calçamento — são de terra ou areia. Dê preferência a chinelos e calçados baixos.
- A voltagem é 220 V em toda a península.
- Não é permitido transitar de carro na praia.
- Sol forte de dia e mosquito ao entardecer. Protetor, chapéu e repelente.
Escrevemos uma lista maior de dicas práticas aqui.
Perguntas frequentes
Onde fica a Península de Maraú?
No litoral sul da Bahia, entre a Costa do Cacau e a Costa do Dendê, 220 km ao sul de Salvador e 115 km ao norte de Ilhéus. A vila principal é Barra Grande, na ponta norte.
Qual a melhor época para ir?
A alta temporada vai de dezembro a fevereiro, com pico de 26/12 a 26/01 — tudo aberto e mais gente. Março, abril e de setembro a meados de dezembro são o segredo: tempo firme e sem multidão. De maio a agosto chove mais e a temperatura fica em torno de 24 °C, com a península quase vazia.
Quantos dias ficar na Península de Maraú?
Quatro a cinco dias para a maioria dos roteiros. Menos de três não compensa o tempo de deslocamento.
Quais as melhores praias da Península de Maraú?
Taipu de Fora, pelas piscinas naturais na maré baixa; Ponta do Mutá, pelo pôr do sol sobre a água e pelo mar calmo; e Algodões, mais distante e mais vazia. A praia de Barra Grande é a mais prática.
Tem caixa eletrônico na Península de Maraú?
Não. Não há agência bancária nem caixa eletrônico. Leve dinheiro em espécie.
Precisa de carro na Península de Maraú?
Na vila de Barra Grande, não. Para praias distantes como Algodões e Cassange, sim — ou quadriciclo.
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